O carro popular é o mais roubado — e não é por acaso
Quem tem um HB20, Onix ou Gol já ouviu alguém dizer: "cuidado, esse carro é visado." Os dados da SSP-SP confirmam o que todo mundo desconfia — mas revelam detalhes que pouca gente conhece.
Os carros populares dominam o ranking de veículos roubados em SP não porque são fáceis de roubar, mas porque existem mais deles nas ruas. É uma questão de volume, não de vulnerabilidade.
O ranking dos mais roubados em 2025
| Posição | Modelo | Roubos/ano |
|---|---|---|
| 1 | Hyundai HB20 | ~8.200 |
| 2 | Chevrolet Onix | ~7.800 |
| 3 | VW Gol | ~5.400 |
| 4 | Fiat Uno/Mobi | ~4.100 |
| 5 | Toyota Corolla | ~3.600 |
O HB20 lidera não porque é mais fácil de roubar, mas porque é o carro mais vendido do Brasil desde 2022. Quando calculamos a taxa de roubo por unidade em circulação, os números se equilibram.
Para onde vão os carros roubados?
Esse é o dado mais revelador. Os destinos dos veículos roubados em SP se dividem em três:
- Desmanche (58%): o carro é desmontado em horas e as peças são vendidas separadamente. É por isso que populares são visados — as peças têm demanda alta.
- Clonagem (24%): o veículo recebe uma nova identidade (placa e documentos de outro igual) e é revendido.
- Uso em outros crimes (18%): o carro é usado como ferramenta para assaltos, sequestros ou transporte de mercadorias ilícitas.
O desmanche explica por que carros populares são mais visados: um para-choque de HB20 tem comprador certo no mercado paralelo. Um para-choque de Porsche, não.
Sua rua é segura? Os dados dizem a verdade.
O SeuZebra cruza ocorrências reais da SSP-SP e mostra o nível de risco da sua rua, bairro e trajeto — pra carro, moto e celular.
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Os dados da SSP-SP mostram concentração em:
- Zona Leste: Itaquera, São Mateus e Cidade Tiradentes lideram em volume
- Zona Sul: Campo Limpo, Capão Redondo e Jardim Ângela
- Centro Expandido: Sé, República e Bela Vista (especialmente semáforos)
No centro expandido, o roubo acontece majoritariamente em semáforos — o carro para, o assaltante aborda. Nas periferias, é mais comum em ruas residenciais durante a madrugada.
Horários: quando mais roubam
- Madrugada (0h–6h): 31% dos roubos — carro parado na rua, sem movimento
- Noite (18h–0h): 28% — retorno do trabalho, ruas escuras
- Tarde (12h–18h): 24% — estacionamentos e semáforos
- Manhã (6h–12h): 17% — período mais seguro
A madrugada lidera porque a maioria dos furtos de veículo (sem violência) acontece com o carro estacionado. Já os roubos (com violência) se concentram entre 18h–22h.
Seguros e o custo real
O seguro de um HB20 em SP custa em média R$ 3.200/ano — quase o dobro do mesmo carro em Curitiba ou Florianópolis. O preço reflete diretamente os dados de roubo da região.
Para carros populares em bairros de alto risco, o seguro pode chegar a 8% do valor do veículo por ano. Em bairros seguros, cai para 3-4%.
Tendência: está melhorando?
Os dados mostram queda consistente nos últimos 3 anos:
- Roubo de veículo: -15% (mais câmeras, cercamento eletrônico)
- Furto de veículo: -8%
- Recuperação: subiu de 45% para 52% (rastreadores ajudam)
O cercamento eletrônico de SP (câmeras que leem placas automaticamente) é o principal fator. Carros clonados são identificados em minutos quando passam por uma dessas câmeras.
No SeuZebra, você pode ver o índice de roubo de veículo da sua rua e comparar com o restante do bairro. Os dados são atualizados com base nos registros da SSP-SP.




